Compra e venda toma conta do Facebook


Publicado em 17 de fevereiro de 2017

Velhos conhecidos do público, os sites de relacionamento ganharam nova função com o tempo: a de ser espaço para compra e venda de produtos dos mais diferentes tipos. No Facebook, por exemplo, os grupos que reúnem gente atrás desse novo comércio aparecem em ascendência. Em Maringá, destacam-se cerca de dez grupos especializados em comércio via rede social, onde se encontra de tudo: importados, eletrônicos, roupas e até divulgação de encomendas para alimentos.

O empresário Michel Henrique Franco Carniel é fundador do “Classificados Maringá”, um dos mais movimentados grupos de compra e venda da cidade (com mais de 10 mil membros). Carniel lembra que, em princípio, queria apenas divulgar a empresa da qual é dono, no ramo da comunicação visual. “O Facebook dá a chance de a gente fazer divulgação de um jeito rápido, barato e dinâmico. Não tive nenhum retorno financeiro além das vendas. Mas estou aí para ajudar a galera.”

Apesar das aparentes facilidades do comércio dentro dos sites de relacionamento, há quem não se deu bem com essa forma de compra e venda. A estudante Areia Ocampos, 21, anunciou a venda de um iPod Touch nos diversos grupos maringaenses. “Anunciei em vários grupos, mas não tive nenhum retorno. Até cheguei a conversar com alguns interessados, mas ninguém quis comprar o iPod, de fato.” Apesar de não ter conseguido vender o aparelho, a estudante diz não ter perdido a crença nesses grupos. “Se precisar, volto a anunciar lá.”

O publicitário Marcelo Arado, 31, é outro exemplo de insucesso nas vendas dos grupos no Facebook. Há poucos meses, ele anunciou a venda da antiga bateria e, assim como Areia, não conseguiu vender. “Acredito que ninguém comprou a bateria porque o preço era muito alto e o público desses grupos é mais segmentado.” Arado ressalta que, apesar de não ter realizado a venda nos grupos, a divulgação proporcionada pela internet é importante. “Por isso, até voltaria a anunciar algum outro produto meu.”

O economista Ronaldo Bulhões, doutor em economia na gestão de negócios, explica que essa tendência de negociação é importante no desenvolvimento e ampliação do comércio eletrônico. Apesar disso, diz acreditar que esse sucesso não será suficiente para derrubar o já consolidado e-commerce. “Esse mercado do Facebook não tem garantias legais. A própria legislação da rede social proíbe esse tipo de negociação e comércio. É uma questão de tempo (para que os grupos acabem), até surgir um novo mercado que se adapte ainda mais às necessidades dos consumidores.”
Fonte:www.jornalmateriaprima.com.br