CRECI agoniza em praça pública?


Publicado em 24 de junho de 2016

Dia 31 de dezembro. As famílias se preparavam para o grande baile de Réveillon. As moças sempre muito elegantes e os rapazes ansiosos para a chegada do novo ano para cumprimentar a meninas e elogia-las pela beleza. Lógico, tratava-se de uma desculpa para criar coragem e dar aquela paquerada. Às onze horas as portas do salão Social do CRECI (Clube Recreativo e Cultural de Iracemápolis) eram abertas para a sociedade. Num clima muito familiar o salão era aos poucos tomado. Ao som de Bandas tradicionais a diversão era garantida. Casais demonstravam seus dotes dançarinos diante de vários gêneros musicais. Quem não se lembra do Gilberto Michel e sua esposa Conceição, do Denílson Granço e Cristina, do Célio do Vilo, do Pedrinho Dentista? Todos exímios dançarinos. As mesinhas cor de abóbora com cadeiras azuis ficavam lotadas e os ‘drinks’ eram servidos pelo eterno, competente e simpático garçom mais fiel que esse clube já viu: o Sr. Marquinhos Correa. E então o ano ‘Creciano’ se iniciava.

Após a ressaca do réveillon dava-se a continuidade do JOFE (jogos de Férias) que se iniciava pela metade de dezembro do ano anterior com grande festa de abertura. Tinha tocha olímpica, desfile de bandeiras e apresentação dos times que disputariam o almejado troféu de melhor time de futebol de salão do município. O juramento dos atletas nem sempre era cumprido a risca posteriormente. Por ali passaram times folclóricos e excelentes craques: Iracemápolis F.S. do Senhor Waldo Zanucci (in memorian), Canarinho F.S. do Marcão Dadona, Mengo, Bosqueiro, Fazendão, Tanquinho, Espaço Vídeo e Dose F.C. Jogadores como Dição, Wagninho, Manfredi, Piló, Galo, Jabá, e um tal de Renatinho, davam show na quadra, sempre pintada especialmente para os jogos.

E chegava o ‘grito de Carnaval’. Era fevereiro. A piscina desde que anunciado o verão vivia lotada. Crianças na piscininha e marmanjos na piscinona. Muitos ganharam ali a alforria, o título de mocinho (a). Sim, eram os que conseguiam nadar no ‘três metros’. Era uma aventura olhar lá debaixo a imensidão aquática, isso para quem conseguia participar da brincadeira de ‘buscar o fundo’. O bar da piscina ficava repleto de gente. Cervejas, refrigerantes, salgadinhos, música, namoro e alegria nas tardes de sábado e domingo. A quadra era revezada nessas tardes para praticar, vôlei, basquete, futsal. Havia também a opção do Pingue-Pongue e as mesinhas de xadrez no salão de jogos. Então era carnaval. Quatro noites. Blocos se formavam para ‘fazer a folia’ ao som de eternas marchinhas. Teve o ‘Enche o saco’ com trajes confeccionados com sacos de açúcar entre inúmeros e criativos blocos. Teve as meninas da Vila Glória. Mas a ‘Vérinha Michel’ sempre levava o troféu de Foliã. E durante o ano muitos eventos movimentavam a vida social do Iracemapolense nas dependências do CRECI. Baile de Aleluia, Baile de Debutantes, Discoteca do Carlinho (MelodyTape), a BuckSom, Studio 88, Gardem Som, o Vídeo Bar, Baile do Havaí, Cassino de Sevilha, shows com Gretchem, Ira!, Kid Vinil, Casa das Máquinas, Três do Rio, Ari Toledo, Festa do Sorvete, Festa do Chopp. Passaram por ali presidentes como Zé Calile (in memorian), Belão, Betão Modenese, Dinho Avizú entre outros. Daria para escrever um livro. E hoje corre a boca pequena que o CRECI agoniza em praça pública! Outros tempos! Que Pena!