De concurso de beleza a Enem


Publicado em 9 de novembro de 2018
Facebook: Graziela Félix  Instagram: grazifelix

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Ao que tudo indica, o mundo todo está unindo forças para desmistificar o feminismo e explicar, por A + B, que essa discussão é mais que necessária.

Há exatamente um ano, o concurso que elegeu a Miss Peru 2018 deu um show de inovação e empatia. O tema central do programa foi o empoderamento feminino e o que mais chamou atenção foi a denúncia de casos de violência contra a mulher. No lugar de divulgar suas medidas, as candidatas pediram atenção do público para números alarmantes de feminicídio no país.

Enquanto as modelos desfilavam de biquíni, o telão do palco exibia recortes de jornais e revistas, mostrando casos de mulheres agredidas e assassinadas no Peru. Os números chocam independente do país em que os dados forem coletados.

Para se ter uma ideia de como a situação está aqui no Brasil, por dia são assassinadas 13 mulheres. Isso significa que a cada 1h30 (isso mesmo: uma hora e meia) uma mulher é morta no país e o parceiro dela é responsável em mais de 80% dos casos. E se a mulher for negra, pasmem, esse número é ainda maior.

Então, amigos, já passou da hora de nos movimentarmos de alguma forma para revertermos esses dados. Começar pela conscientização já é um passo e o ENEM tem feito isso há algum tempo. Em 2015, o tema da redação “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” gerou polêmica nas redes sociais e dividiu opiniões. A hashtag #enemfeminista foi criada e começou a ser usada tanto pelos que defendem quanto pelos que não concordaram, na ocasião.

De lá pra cá, o ENEM persiste na reflexão dos candidatos. Este ano, uma das questões que tratava sobre o feminismo falava das mulheres no futebol, enquanto outra discursava sobre a construção social do conceito da feminilidade. O protesto das modelos no Miss Peru 2018 também foi lembrado.

Uma pena que esse tipo de assunto ainda cause repulsa em tanta gente. Se calar diante destes números chocantes é ser conivente e nos faz lembrar daquele sábio ditado: quem cala, consente!

Um grande beijo e até dezembro!