O ciclo da vida


Publicado em 13 de maio de 2017

Na barriga da mãe, por nove meses o bebê vive o seu mundo. Sozinho, apesar de ser alimentado, de ouvir palavras de amor, talvez cantigas, de se sentir aconchegado, ali ele está sozinho.

Ao nascer, o cordão umbilical é cortado, o bebê chora, percebe que saiu daquele mundo fechado e entrou num mundo maior, as vozes estão mais próximas agora, ele pode sentir o toque de carinho e o aconchego. Continuará a ser alimentado por muito tempo ainda, mas agora, os sabores são diferentes, o alimento tem forma, tem cor, ele conhece a alegria, o sorriso, mas ainda assim está sozinho em si mesmo, por dentro, ao dormir, o medo do escuro, as inquietações, o sim, o não, a dor, os porquês sem resposta. E o tempo passa.

O bebê vira criança, adolescente, jovem, adulto, idoso, e por mais rodeado de pessoas que esteja, por toda alegria que tenha vivido, por mais aprendizado que tenha adquirido, por mais sucesso que tenha alcançado, ainda assim está sozinho. Por dentro, os medos que começou a conhecer quando bebê se tornaram maiores, mais questionamentos, mais angústias, decepções, mais dor…

Finalmente ao morrer, independente da idade que tenha, pois não existe idade para a morte, o ser humano morre sozinho. Ainda que esteja rodeado de seus amados, que muitas lágrimas sejam derramadas, ainda que tenha sido muito querido, ao final, ele está sozinho. Morre sozinho, desce sozinho à sepultura e vira memória, história…

Esse é o ciclo da vida. É mais um porquê sem resposta.