O Clecimo tem razão


Publicado em 26 de maio de 2017

O Clecimo tem razão e ponto. Ele pode frequentar a festa e ainda assim, como vereador, questionar a mesma. Se houve reclamação por parte de munícipes, o papel do vereador é sim levar o assunto para pauta. A Festa do Peão é tradicional e no Brasil acontecem centenas de festivais desse tipo durante o ano todo, principalmente em municípios do Interior de São Paulo, do interior do Pará, do interior de toda a Região Centro-Oeste do Brasil, no Triângulo mineiro, e no interior do Tocantins. As Festas do Peão brasileiras são famosas e reconhecidas mundialmente, sendo que algumas estão entre as maiores do mundo, com destaque para a Festa do Peão de Barretos, de Americana, de Jaguariúna. Só a de Barretos, que é a maior festa de rodeio no Brasil, chega a reunir mais de 300 mil pessoas e movimenta milhões de reais em diversos setores. O rodeio é então, uma fonte de emprego, e ajuda a girar a roda de economias locais e do país, e isso é bom.

No entanto, não é por ser tradicional e do gosto de muita gente, e render dividendos, que a mesma está isenta de sofrer críticas. Uma das maiores polêmicas sobre a festa do peão é a questão dos maus tratos aos animais. Os organizadores se defendem e dizem que isso não existe. É fato, porém, que em várias cidades da região, como Campinas, Águas de São Pedro, entre outras, através de liminares judiciais, rodeios foram proibidos de acontecer justamente baseados em maus tratos. Em Iracemápolis, outras questões são levantadas por pessoas que até frequentam e gostam da festa.

O problema principal é a localização do recinto. Mistura-se ai a festa organizada por um grupo privado, o Clube de Cavaleiros, e o espaço público. O Centro de Lazer dos Trabalhadores fica no centro do município, ou seja, dentro da cidade. A estrutura montada para uma festa do porte da do peão é imenso e exige uma logística enorme. No nosso caso vias públicas são utilizadas para uso de estacionamento, lesando o direito de ir e vir dos cidadãos, que por um fator ou outro, não irão ao local. A Prefeitura Municipal contribui de várias formas para a realização da festa, inclusive financeiramente, bancou muitas vezes o show do domingo. Não sei se foi o caso neste ano? Senão, foi exceção. É cabível, como cidadão, perguntar o quanto, ou de que forma, a festa retribui para a cidade em benfeitorias, já que todos somos contribuintes de impostos. Outro problema muito citado é o som. Critica-se muito o som alto de automóveis em vias públicas e em festas em residências e chácaras. Até lei municipal temos contra essa prática. A festa do peão, por quatro dias consecutivos, no horário que ela acontece, incomoda moradores do entorno do rodeio, e nada é feito para que essa situação mude. É necessário discutir todos os pormenores da festa, para que a mesma seja ótima para quem gosta e não lese aqueles que têm todo o direito numa democracia constituída, de não querer fazer parte dessa comitiva.