“Pedrinhas” no sapato
Publicado em 24 de janeiro de 2014

(imagem retirada da internet)
Hoje mata-se por nada. A morte não espanta mais ninguém. Aliás a morte é um tipo de fetiche humano. Aqui mesmo, na nossa cidade vemos o gosto das pessoas em ver a desgraça dos outros. Como dizem, as pessoas tem “sangue no zóio”. É o espetáculo da morte gratuito, o rapaz assassinado perto da rodoviária, o rapaz atropelado na avenida, o outro que se matou.
A desgraça da ibope. A televisão fala de morte diariamente e muitas vezes descaradamente. Já em tempos de internet ficou tudo mais democrático e fácil. O celular é a nova ferramenta para divulgação on-line da desgraça alheia. Que legal, olha o atropelamento ali na frente. Corre, tira foto com o celular. Olha aqui, a perna do cidadão separada do corpo, olha quanto “miolo espalhado”.
E julgamentos não faltam por parte dos vivos ou sobreviventes. Porque do jeito que a coisa anda estamos mais é lutando para sobreviver. Os comentários dão asas à imaginação. São impressões do acontecido. Você viu, disse que… e a criação e invenção correm soltas na boca pequena.
E assim caminha a humanidade, construindo um legado de sangue vendido a baixo custo, engarrafado nas prateleiras dos supermercados. É só o que falta. Conflitos na Síria hoje, Word Trade Center ontem, conflitos de cunho religioso, discussão no trânsito, torcidas organizadas, fanáticos políticos, briga de vizinhos. Matamos-nos cada vez mais e cada vez por muito pouco. Vou dar um “Rolezinho” no “Shooping paraíso” dos ricos para ver se encontro paz, mas até lá o “bicho ta pegando”. São as “Pedrinhas” no sapato da sociedade, os pobres, os deseducados, os marginalizados, os excluídos…