Bacon


Publicado em 30 de outubro de 2015

No balcão do supermercado a mulher escolhia um pedaço de bacon quando uma de suas conhecidas, aquelas do tipo natureba, se aproximou: _Você não ouviu falar na TV que bacon, linguiça e presunto fazem mal pra gente?

A mulher do bacon se virou, olhou para a conhecida. Era aquela que vivia de cara amarrada, que falava mal dos outros e que acordava todas as manhãs pensando em quem ela iria ferir naquele dia, e calmamente respondeu:

_Você acha que eu quero saber se bacon faz mal para mim? Você acha que eu estou preocupada com a linguiça ou o presunto que eu como? Como alguém vive sem isso? Pensa num lanche sem bacon…não dá nem pra imaginar. Essas coisas, dentre milhares de outras, alegram minha vida. Além do mais, a gente tem que engolir tanta coisa que faz mal pra gente todo dia: corrupção, falta de educação, dissimulação… Quantas vezes a gente descobre que convive com a própria encarnação do mal e agora vem falar que o bacon é que faz mal? – e dizendo isso pegou três pedaços de bacon e ainda pediu pra atendente meio quilo de presunto e três quilos de linguiça toscana. Olhou pra outra e completou: – Amanhã vou estar com amigos e vamos tomar café da manhã juntos e depois fazer uma churrascada! Será que isso vai fazer mal para mim?

A natureba deu um sorriso amarelo, pegou seu carrinho cheio de coisas “fit” e seu coração cheio de coisas que fazem mal acumuladas e seguiu em frente… sem bacon, sem linguiça, sem presunto e sem alegria.