Setembro Amarelo: Psicóloga fala sobre como tratar a depressão e prevenir o suicídio


Publicado em 31 de agosto de 2018
Amanda Abreu Silva é psicóloga especialista em Psicoterapia Clínica Comportamental (Foto: Arquivo Pessoal)

Amanda Abreu Silva é psicóloga especialista em Psicoterapia Clínica Comportamental (Foto: Arquivo Pessoal)

O mês de setembro começa amanhã e traz uma importante mensagem através da campanha do Centro de Valorização da Vida (CVV) que visa promover o diálogo sobre o suicídio: o “Setembro Amarelo”.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, vivam com depressão no mundo. A organização destaca que a doença é uma das principais causas de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos.Como diagnosticar a doença e quais os meios de tratá-la a fim de evitar que pessoas dignosticadas ou não tirem a própria vida? A psicóloga, especialista em Psicoterapia Clínica Comportamental, Amanda Abreu Silva, explica neste entrevista exclusiva para a Gazeta.

Quais os principais sinais de depressão?

A pessoa pode apresentar diversos sintomas, como por exemplo, deixar de desenvolver atividades que antes tinha prazer em fazer, apresentar irritabilidade, queixar-se frequentemente e por diversos motivos, diminuição ou aumento da ingestão de alimentos, sonolência excessiva ou insônia, diminuição da libido, diminuição da concentração.

Como ajudar uma pessoa depressiva?

É fundamental acolher, ouvir como a pessoa tem se sentido, passar uma mensagem de esperança e na sequência encaminhar para um serviço de saúde especializado.

O que evidencia que alguém pode cometer suicídio?

São diversos os sinais que uma pessoa pode dar evidenciando a possibilidade de tentar suicídio. A pessoa pode manifestar desânimo, mudanças na rotina, desesperança dizendo coisas como “acabou para mim”, “tenho vontade de desaparecer”, a pessoa também pode demonstrar se sentir bastante ansiosa, angustiada, isolar-se socialmente, diminuir o autocuidado, deixar de tomar banho, usar sempre a mesma roupa. Outra evidência importante é o que chamamos de fechar as “pontas soltas” quando por exemplo a pessoa passa a doar animais de estimação, fazer testamento.

De que forma a campanha “Setembro Amarelo” pode contribuir na prevenção ao suicídio?

A campanha “Setembro Amarelo” é muito importante uma vez que traz à tona esse debate, divulgando os sintomas, refletindo sobre as formas de prevenção e tratamento para as doenças mentais.

Qual o conselho que você, como psicóloga, gostaria de deixar para o leitor que pensa em tirar a própria vida?

Considerando o adoecimento e a dor que passa uma pessoa que pensa em tentar suicídio é simplista pensarmos em um conselho. Lidar com o suicídio requer uma abordagem complexa, sendo assim e sabendo dos limites desse conselho eu diria para quem sofre procurar ajuda, uma vez que as dificuldades são menores quando compartilhadas.