A capacidade de enxergar o mundo através dos olhos do outro


Publicado em 20 de janeiro de 2017

Hoje, amanheci pensando em como nossos olhos se encontram fechados para o nosso próximo.

Vejo casais que realmente se divertem ao provocar o outro com a velha desculpa de que não passa de uma simples brincadeira.

Mas qual o limite? Ele existe? Em que ponto a brincadeira deixa de ser divertida e passa a ser uma espécie de agressão?

Aqui não me refiro a agressões físicas, mas sim às agressões contra a alma. Que ferem sentimentos, criam monstros e barreiras muitas vezes indestrutíveis.

Meu avô sempre me disse que brincadeiras exageradas levam ao desrespeito e, se você observar atentamente, é exatamente isso que acontece com o passar dos anos.

Você provoca hoje. Ele provoca amanhã. E um belo dia o limite se esvai, o outro perde a compostura e o transtorno está formado por uma bobagem qualquer. Mágoas se instauram. Ofensas se materializam.

O que realmente me intriga nisso tudo é pensar no que leva uma pessoa a fazer algo que, com toda certeza, irá desagradar alguém tão importante para ele ou ela.

Onde, meu Deus, está a graça disso? Não seria muito mais bonito provocar aquele riso bobo com uma surpresa agradável? Ou será que eu não pertenço mesmo a esse mundo e estou realmente fora do contexto?

Não faça ao outro aquilo que não gostaria que fizessem a você. É o que diz a sabedoria popular e eu concordo, mas vou além: não faça ao outro tudo aquilo que, de alguma forma, pode feri-lo na concepção dele e não na sua. Porque, na verdade, precisamos entender que se, por algum motivo o outro se sente ofendido ou desvalorizado por uma atitude minha ela se torna errada, mesmo que eu não concorde com isso, mesmo que eu acredite ser uma bobeira.

Precisamos aprender a enxergar o outro através dos olhos dele. Precisamos aprender a sair da nossa realidade, porque ela não é e não deve ser tratada como verdade absoluta. Entender isso é compreender o real significado do amor e do respeito.

Precisamos aprender a enxergar beleza naquilo que nos diferencia uns dos outros e buscar o crescimento a partir da compreensão do ponto de vista do outro.