Semana da Pátria?


Publicado em 7 de setembro de 2017

O civismo, os símbolos nacionais, o amor a Pátria são temas trabalhados nas escolas. Quando chega o dia da Independência do Brasil, os alunos entoam os hinos e estudam mais a fundo essa parte da história do Brasil.

Essa semana, ao observar os alunos hasteando as bandeiras na escola, uma pessoa por quem tenho grande afeição se achegou a mim e disse:

-Você acha que com tudo o que anda acontecendo no Brasil dá vontade de cantar o hino? Isso me irrita profundamente…

Eu olhei para a pessoa, olhei para as crianças com a mão no peito admirando as bandeiras subirem esvoaçantes e fiquei meio que sem saber o que argumentar.

Ela tem muita razão nessa aversão à Pátria nesse momento atual.

Deputados passaram semanas discutindo uma reforma política que só beneficiará a eles mesmos. Segundo as notícias mais recentes, o governo reservou quase 900 milhões para o fundo partidário em 2018, ou seja, pra dividir entre os partidos. O absurdo é que o fundo para segurança pública, que vai para a compra de equipamentos para policias foi reduzido em 1/3.

O órgão que cuida de obras nas estradas terá em 2018 menos da metade do dinheiro recebido esse ano. Em outras palavras, investimentos em segurança, certamente em saúde, moradia, educação são sempre reduzidos, enquanto tudo o que diz respeito ao bolso dos políticos é aumentado. Concordo com ela nisso. Nossa Pátria está uma vergonha, sem falar na corrupção sistêmica, prova de que a ganância é companheira fiel daqueles de caráter duvidoso.

Mas vale a pena refletir que a Pátria também somos nós. Que Pátria estamos ajudando a construir?

Vejam o exemplo de uma rede social: ela é usada em grande parte para bisbilhotar a vida alheia, para exibição exacerbada e troca de farpas, porém são poucas as pessoas que compartilham noticias importantes, aquelas que instruem os cidadãos, aquelas que apoiam aos direitos das pessoas e lutam por mudanças necessárias no Brasil.

Posso dar aqui um exemplo pessoal de alguns dias atrás: em minha rede social onde tenho quase dois mil “amigos” compartilhei e escrevi sobre dois assuntos alarmantes…querem saber quantos “amigos” curtiram? Em um assunto foram 17 e em outro 13!!!! E vou além: dos que curtiram, o número de professores é irrisório, e os professores são por livre escolha, formadores!!!E mais, não houve nenhum compartilhamento!!!

Esse é apenas um exemplo pessoal, mas quantas pessoas por aí estão engajadas em causas que nos dizem respeito e também mal recebem atenção. Façam um levantamento dos assuntos que tem mais “curtidas” e compartilhamentos nas redes sociais e vejam a Pátria que nós também estamos ajudando a construir. É desanimador!

Por fim, deixo uma reflexão a todos nós: não podemos deixar morrer o amor que temos pelo nosso país e nem deixar de ensinar às crianças o civismo, os valores de uma nação, mas também o ditado popular é fato: “quem cala consente.”

E por último, se um país fosse construído baseado na rede social, que país seria o nosso?